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Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017
Rádio Perfil FM


Jorge Dyantonino

Jorge Dyantonino

Poesias, Crônicas, Prosas e Cordeis


22/08/2012

Imortal Gonzagão

Caros amigos leitores

Gente de boa cultura

Quero registrar em versos

Para as gerações futuras

A história de um artista

Cancionista Sanfoneiro

Deste sertão brasileiro

Um nobre pernambucano

Pelo povo consagrado

Merecedor de aplausos

E grande admiração

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão

 

No município de Exu

Lá na Fazenda Caiçara

Em mil novecentos e doze

Nascia Luiz Gonzaga

Filho de Ana Batista

E do Senhor Januário

Agricultor respeitado

E sanfoneiro afamado

Lá naquela região

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão

 

O menino esperto e trigueiro

Luiz mostrou desde cedo

Sua enorme vocação

Com doze anos tocava

E junto ao seu pai animava

As festas da região

Aquele garoto franzino

No palco tão pequenino

Já mostrava sua grandeza

Pois sua enorme destreza

Causava admiração

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão.

 

 

Em mil novecentos e trinta

Quando já era homem feito

Alistou-se pra servir

Ao exército brasileiro

Na função de corteiro

Viajou Brasil inteiro

Cumprindo sua missão

E em cada canto que andava

Nos momentos que folgava

Tocava o acordeão

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão.

 

No ano de trinta e nove

Foi pro Rio de Janeiro

Depois que se afastou

Do exército brasileiro

Com um sonho no coração

Nas ruas se apresentava

E tocava em festas na Lapa

Pra poder ganhar o pão

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão.

 

Depois de uma participação

No programa de Ary Barroso

Num grande Show de calouros

Pela Rádio Nacional

Sua canção musical

"Vira e Mexe" foi eleita

Pelo povo foi aceita

Com grande repercussão

E assim nosso sanfoneiro

Quebrou muitos preconceitos

Vencendo a competição

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão.

 

Com jeito simples roceiro

E linguagem original

Luiz ficou conhecido

Por seu jeito especial

Pois suas canções retratavam

Toda rotina diária

Do povo humilde trigueiro

As lutas dos sertanejos

Que estão vivas na memória

Ao contestar que uma esmola

A um homem que é são

O lhe mata de vergonha

Ou vicia um cidadão

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão.

 

No ano de quarenta e três

Luiz lançou um estilo

Que o tornara conhecido

Na história nacional

Vestido em trajes de couro

Do vaqueiro nordestino

Ele ergueu-se de brilho

Com sua mais nova invenção

Foi assim intitulado

E pelo povo chamado

De Luiz "Rei do Baião"

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão

 

Gravou "Dança Mariquinha"

E xote "Cortando Pano"

"Dezessete e setecentos"

Baião "penerô xerém"

Letras escritas também

Com toques de verso e rima

Do poeta Miguel de Lima

Parceiro em composição

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão

 

Casou-se com dona Helena

No ano de quarenta e oito

Depois de ter assumido

O seu filho Gonzaguinha

Fruto de uma relação

Com a cantora Odaléia

Pouco tempo Luiz estréia

Uma nova parceria

Junto a Humberto Texeira

E mais uma vez sua carreira

Pelo Brasil se agiganta

Com o sucesso "Asa Branca"

Luiz causou emoção

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão

 

Com Zé Dantas, Cordovil

Hervê e também João Silva

Luiz cantou o Sertão

Mantendo sua hitória viva

Fez da voz uma arma crítica

À injustiça social

E ao êxodo rural

Com suas fortes feridas

Dos versos de Patativa

A obra "Triste Partida"

Musicada pelo artista

Ganhou mais repercussão

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão

 

No ano de oitenta e nove

No dia dois de agosto

Luiz deixava o seu povo

Ao partir pra outra vida

Mas sua obra construída

Ainda ecoa nas faculdades

De um legado de saudades

Deste herói do Sertão

Um vulto "nobre matuto"

Dotado de inspiração

Que fez ao som da sanfona

Este torrão ganhar vida

Pelo ritmo das cantigas

De forró, xote e baião

Gonzagão fez da canção

Um acorde de candura

Que imortaliza a cultura

Do povo do meu Sertão.

 

Autor: JORGE ANTÔNIO CAVALCANTE LIMA

Nome Artístico: Jorge Dyantonino





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