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Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017
Rádio Perfil FM


Paulo Félix

Paulo Félix

Turismo, cultura, fatos, versos e canções


12/05/2012

Nobre Guerrilha de um Aventureiro

Não lhe negaram a luz, nem tampouco foram entraves à sorte, mas, quase que por obrigação. Não lhe podaram os sonhos induzidos pelo pigmento escurecido da veste natural, tão desvalorizada para uma época, porém, tramaram desvirtuar-lhe o caminho, para que a esperança que lhe restasse como certa, sucumbisse e lhe atirasse as margens da bela sala de estar, modelada e acortinada por metragens quadradas de veludo vermelho com cetim. Tentaram fechar-lhe portas para que não pudesse misturar a cor, com a cor preferida de momentos que, inclusive, se confundia como sinônimo de riqueza material. Momentos sociais danosos, fechados em nome de poucos, mas que não resistiu à hora da liberdade plena; a hora em que o mundo chamou a todos para o processo de igualação social que ainda perdura.  Mas, a cada dia que chegava parecia-lhe que o pouco de sorte que levava consigo presa às mãos, enfraquecia, perdia o tom. E o desencanto era certo; a desesperança se tornava inevitável pelo caminho que a cada vez mais se alongava pela frente, proporcionando-lhe maior clareza e consciência. Nesse instante, como luz a lhe guiar no caminho, a voz da sabedoria lhe murmurava aos ouvidos, dizendo-lhe já com demonstrações de cansaço, resultante de uma vida quase secular na terra: "vai meu filho, você vai conseguir conquistar o que há de maior importância para um ser humano, a dignidade. E mesmo que você desde sua tenra idade até o momento presente, não tenha se aquecido senão por um pedaço velho, já amarelado de chita, que importa isso? Vai, você vai conseguir!".

Mas, o medo do descarte social que lhe perseguia ainda incessante em nome da cor, denominada parda, repercutia-lhe o senso fantasioso, represado como mantra com poder de materialização. Louca aflição! Mas, os tempos mudaram e já é perceptível no dia-a-dia, e mesmo que existam sorrateiras alucinações mentais de alguns que ainda anseiam manter firme o passado remoto em detrimento do presente, se esbarram em atos institucionais protetivos e acovardam o ego ditante. Daí, lhe ressurgir novas forças que se embasam, também, nos conhecimentos tecnológicos adquiridos e nas experimentações que o tempo lhe viabiliza como comprazimento; norteamento de um aprendiz que se predestina a melhoria do ser e do espírito; e arrefecendo-se do medo que o calara a adolescência, foi à luta como o ensinara aquela luz a lhe guiar no caminho, com a voz da sabedoria que lhe murmurava aos ouvidos, dizendo-lhe já com demonstrações de cansaço, resultante de uma vida quase secular...: vai, traça e envida todos os teus esforços para a conquista do caminho dos seres nobres; vai à luta perseguindo as virtudes dos bons aventureiros que constroem pela guerrilha do dia-a-dia, o celeiro do Amor Maior, vai!

Paulo Félix





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