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Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017
Rádio Perfil FM


Joana Silva

Joana Silva

Crônicas e Meio Ambiente


02/06/2010

As três peneiras

Augustos procurou Sócrates e disse-lhe:

- Sócrates, preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de... Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:

- Espere um pouco Augustos. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?

- Peneiras? Que peneiras?

- Sim. A primeira, Augustos é a da verdade.

Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?

Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!

- Então suas palavras já vazaram a primeira peneira.

Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostarias que os outros também dissessem a seu respeito?

- Não Sócrates! Absolutamente, não.

- Então suas palavras vazaram também a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa?

- Não Sócrates... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar.

Sócrates sorrindo concluiu:

- Se passar pelas três peneiras conte. Tanto eu quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz.

- Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras, pois pessoas sábias falam sobre idéias; pessoas comuns falam sobre eventos, pessoas medíocres falam sobre outras pessoas.

            Que bom seria se as pessoas tivessem o cuidado de, se não passar pelas três peneiras um comentário, mas pelo menos verificar se vale apena fazer determinados comentários sobre outras pessoas.

            Infelizmente, no mundo de hoje, tornou-se banal se fazer comentários. Imagine que tem canais de televisão, programas de rádio e outras formas de comunicação, para comentar fatos ocorridos ou apenas suspeitados aos outros.

A falta de leitura, de diálogo e conseqüentemente de relações afetivas, paralelos à falta de ética estão deixando as pessoas insensíveis a ponto de se sentirem satisfeitas com a derrota dos outros e por isto não se percebem da mesquinhez de julgarem os outros banalmente.

           

                        Joana Silva





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