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Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017
Rádio Perfil FM


Joana Silva

Joana Silva

Crônicas e Meio Ambiente


02/06/2010

Recordar é Viver

"Recordar é viver, diz um velho ditada", outros dizem que recordar o passado é sofrer duas vezes. Levando em consideração o primeiro mote, creio que é bom relembrar passados que nos dão saudade. Afinal, saudade é um sentimento bom. Só sentimos saudade daquilo que nos deixou boas lembranças.

            Lendo uma reportagem sobre a decadência dos circos, cinemas e clubes, me reportei ao Tacaratu do passado,quando, embora vivendo a opulência dos grandes eventos festivos, era também berço de uma simplicidade que aproveitava muito a alegria da presença de um pequeno circo na cidade. Só vinham para cá, circos de pequeno porte. Portanto, sem condições de grandes espetáculos. Mesmo assim, causava muita alegria à chegada de um caminhão, geralmente velho, transportando um circo.

            Para a garotada a certeza de ter a oportunidade de ver macacos, grandes cobras enjauladas e palhaços. As mocinhas, quando o pai permitia a sua ida ao circo (muitos não permitiam por acharem que o circo era coisa imoral), se divertiam com as anedotas dos palhaços e até despertavam paixões por artistas circenses. Os homens, curtiam muito ouvindo as rumbeiras dançando e cantando" lá detrás daquele muro tem um pé de manacá, nós vamos pra lá, nós vamos casar, você quer?

            Era um período festivo, quando, geralmente às 10 horas o circo levava ao ar uma programação de músicas variadas através de uma difusora colocada no topo do circo. As pessoas mais salientes ofereciam músicas e mensagens para as pessoas de sua preferência. À tarde saia pelas ruas da cidade, um palhaço em pernas de pau, cantando e gritando "hoje tem espetáculo? Tem sim sinhô, respondiam os meninos. Às oito horas da noite? Tem sim sinhô. Este era um sinal que indicava que ia acontecer mais uma noite de alegria.

            No circo havia lugar para a famosa divisão social. As pessoas mais abastadas ou consideradas mais respeitadas ocupavam, com um ingresso a preço mais elevado, as cadeiras. O povão, ou seja, na linguagem de hoje, a galera, ficava no poleiro, que eram arquibancadas feitas de estreitas tábuas. Mesmo assim a alegria, as gargalhada soavam até as onze ou doze horas da noite.

Os trapezistas, os malabaristas os palhaços no picadeiro encantavam os olhos de quem se fazia presente. As rumbeiras, mulheres  semi-nuas cantavam, dançavam e depois saiam colocando uma fita nos ombros dos homens, que deveriam lhes dar um trocado.

            Na segunda parte do espetáculo era encenada uma peça teatral ou uma comédia. A louca no jardim, O Ébrio, são algumas das quais eu me lembro.

            Assim se passavam quinze dias no máximo, de alegria e lazer causados pela presença de um circo na cidade

Hoje, além da arte circense estar quase em extinção, aqui em Tacaratu nem tem mais  espaço para o circo.

            São coisas do "progresso"

 

                         Joana Silva





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