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Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017
Rádio Perfil FM


Joana Silva

Joana Silva

Crônicas e Meio Ambiente


24/06/2010

Tacaratu, Oasis do Sertão

Situada no sertão de Pernambuco, a 453 Km da capital do estado, Tacaratu é uma acolhedora cidade  que se destaca no cenário  estadual  por sua  beleza  natural, seu clima, seu folclore e pelas suas festas de N. Sra. da Saúde, o  São João e festas de vaquejada. O município se compõe de dois distritos, vários povoados e diversos sítios. Tacaratu não é um pedacinho do céu, mas é um lugar muito bom para se morar. Aos moradores ela oferece uma qualidade de vida toda especial em relação ao mundo de hoje. Aqui ainda é possível conhecer os vizinhos e manter com eles uma relação de amizade, sentar nas calçadas ou nos bancos das praças e conversar ou ficar á vontade, vendo o tempo passar. Em sua maioria o povo é hospitaleiro, solidário, alegre e as pessoas ainda se cumprimentam chamando umas ás outras pelo nome. Aqui  todo mundo é igual e todos se sentem  verdadeiramente alguém  fazendo  parte de uma comunidade  e não apenas um, no meio da multidão. Certo que ás vezes isto tira um pouco a privacidade e incomoda, mas é compensado com a harmonia que aqui  se vive.

Embora pareça ainda uma criança inocente, ingênua, no meio de tanta maldade do mundo moderno, Tacaratu já conta com seus 350 anos de uma bonita história: de índios Pankararu, missionários oratorianos, de festa do feijão e do Congresso Eucarístico, lenda da Fonte Grande, festa de Nossa Senhora da Saúde e  tantas outras coisas. Olhando para o passado desta boa terra podemos verificar que foram os anos 40,50 e 60 do século XX, o período mais promissor de sua história. 

Em l938 acontece a festa da farinha e o município recebe a visita da Missão de Pesquisa Folclórica  de  Mário de Andrade, então Secretário de Cultura de São Paulo. Em 1941 se realizou a festa do feijão, o que fez com que Tacaratu, apesar de ser ainda distrito de Itaparica (Petrolândia  velha), se tornasse, por três dias, a sede do governo do estado, pois para cá vieram o Dr. Agamenom  Magalhães, interventor (governador), o  ministro da agricultura Dr. Apolônio Sales, uma comitiva de assessores, jornalistas e radialistas da então famosa PRA8, Rádio clube de Pernambuco. 

Foi um evento de grande porte que teve grande repercussão no estado. Segundo recortes do jornal FOLHA DA MANHÃ, noticiando o evento, o município chegou a produzir naquela época, cem mil sacas de feijão. Vale salientar que o município se compunha da área Correspondente a Tacaratu, Petrolândia e Jatobá. Na mesma década, ou seja, nos anos 40 foi criada a Cooperativa Agropecuária de Tacaratu, destinada a apoiar os agricultores e seus associados com pequenos empréstimos, tratores e armazenamento da safra de cada ano. Também foi na década de 40 que se criou a coletoria estadual de Tacaratu para a arrecadação de impostos com o escoamento da safra de feijão, milho e algodão.

Ainda na mesma década foi fundada a Sociedade Vicentina São Vicente de Paulo. Com sede própria, no prédio onde hoje é o clube A ATRIBO, essa sociedade assistia às pessoas carentes com remédios, caixões de defuntos e outras eventuais necessidades. Em l954 Tacaratu realiza o Congresso Eucarístico, com muita beleza e religiosidade. Pelos anos 50, 60 Tacaratu contava com um cinema, embora sem sede própria, apresentações teatrais (os dramas), e um forte comércio especialmente em lojas de tecido e calçados  de couro fabricados pelos "sapateiros"do município. Queremos destacar alguns deles: João Raimundo Pereira, João Soares, Juvenal Baião, Raimundo Mota, Zé Valdenor, Zé de Paizinho e Adalberto Laranjeira. Estes dois último permanecem ainda no ramo fabricando especialmente  as famosas  xoubois. 

Havia uma Loja Pernambucana do Senhor Antonio Exalto Cavalcante, onde hoje é a Comercial Ricardo Sidrão, que atendia a população nos mais diversos gêneros. Na época existiam também as lojas de Manoel Duquinha, Olegário Barbosa, Luiz Dantas e posteriormente, a SOCODI, dos senhores José Isídio e José Duque, a loja de seu João Duque, hoje de sua esposa Hermínia  Duque e a loja de Sinhô  Xavier. Restam apenas estas duas últimas, por uma questão de amor à causa, pois segundo os proprietários este é um ramo de comércio que não dá mais lucro. Com o advento da confecção pronta, especialmente da sulanca as pessoas estão deixando de comprar tecido.

Falando de Tacaratu do passado não podemos esquecer os hotéis e os botequins. Os primeiros hotéis foram os de Rufino Pacheco e o de Mãe Nela que hospedavam os viajantes que chegavam para reabastecer o comércio, e também, os vendedores de ouro como seu Otaviano que mensalmente vinha de Serra Talhada e passava dias na cidade embelezando as mulheres que gostavam e podiam comprar belas jóias de ouro. Posteriormente a esses, existiram os hotéis de Tibúrcio e de Irene Martins. Nos botequins destacamos os de Maria Alvina, Zizuína, Belinha Honorato minha tia e madrinha, e as Rosa. Essas eram um grupo de irmãs morenas altas e bonitas, que fabricavam deliciosos bolos de mandioca e de milho além de famosas buchadas que atraiam muitas pessoas para degustar esses deliciosos  pratos sertanejos.

As mudanças de épocas influenciaram na cultura, na economia e no comportamento da comunidade...

Falaremos depois sobre isto.

 





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