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Tacaratu - PE - 17/11/2013

Tacaratu, Alvo da Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade

Fonte: Paulo Félix
Créditos: Discoteca Oneyda Alvarenga/SP e Casa da Cultura Rilton Ferraz, Tacaratu/PE
Créditos: Discoteca Oneyda Alvarenga/SP e Casa da Cultura Rilton Ferraz, Tacaratu/PE

Nasceu Mário de Moraes Andrade no dia 09 de outubro de 1893, na cidade de São Paulo. Poeta, romancista, crítico de arte e musicólogo da época do movimento modernista no Brasil, ainda produziu um grande impacto na renovação literária e artística do país, quando participou ativamente da Semana de Arte Moderna de 1922, além de se envolver entre 1934 e 1937, com a cultura nacional, como diretor do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo. Mário de Andrade construiu toda a sua vida naquela metrópole onde nasceu. Ali estudou e lecionou por muitos anos, desde cedo demonstrou sua paixão pela cidade de São Paulo. Criou vínculos muito fortes com nomes importantes do país, se correspondendo, freqüentemente, com grandes artistas brasileiros, dentre os quais se destacam Manuel Bandeira, Carlos Drumont de Andrade, Oswaldo de Andrade, Tarsila do Amaral, Fernando Sabino e Augusto Meyer, e veio a falecer em 25 de fevereiro de 1945, aos 52 anos de idade, após três décadas que desempenhou em estilo vanguardista.

Mais Mário de Andrade também é considerado um dos primeiros musicólogos do país, e o seu maior interesse era a música, particularmente os ritmos nordestinos, nos quais tentou pesquisar e valorizar, assim como fez com a Missão de Pesquisas Folcloricas, na tentativa de se criar um estudo e uma descoberta das raizes culturais do Brasil. E isto ocorreu, tambem, com o seu romance mais famoso, Macunaíma, considerada uma das obras capitais da narrativa brasileira no seculo XX. A importância de Mário de Andrade continua sendo ativamente expressa nos dias atuais, e ainda se fala sobre sua obra, seja para estudo ou para a investigação do Brasil. Na sequencia da publicação do seu primeiro livro de poemas, Mário de Andrade decidiu ampliar o âmbito de sua escrita. Deixou São Paulo e viajou para o campo. Iniciou uma atividade que continuaria a fazer durante o resto da vida: o meticuloso trabalho de documentação sobre a história e a cultura (especialmente música), no interior do Brasil, tanto em São Paulo, quanto em Minas Gerais, onde se interessou, profundamente, pela arte barroca do periodo colonial, como nas areas agrestes no nordeste do país. Publicou ensaios em jornais de São Paulo, algumas vezes ilustrados por suas próprias fotografias, e foi, acima de tudo, acumulando informações sobre a vida e folclore brasileiro. No ano de 1935, durante uma era de instabilidade do governo Vargas, organizou, juntamente com o escritos e arqueólogo Paulo Duarte, um Departamente de Cultura, para unificação da cidade de São Paulo (Departamento de Cultura e Recreação da Prefeitura Municipal de São Paulo), onde Mário de Andrade se tornara diretor.

Em 1938, Mário de Andrade reuniu uma equipe com o objetivo de catalogar músicas do Norte e Nordeste brasileiros. Tinha como objetivo declarado, de acordo com a ata de sua fundação, "conquistar e divulgar para todo país a cultura brasileira". O âmbito de aplicação do recém-criado Departamento de cultura, foi bastante amplo: a investigação cultural e demográfica, como construção de parques e recriações, além de importantes publicações culturais. Exerceu seu cargo com a ambição que o caracterizava: ampliar seu trabalho sobre música e folclore popular, ao mesmo tempo organizar exposições e conferências. As missões resultaram em um vasto acervo registrado em videos, áudios, imagens, anotações musicais, dos lugares percorridos pela Missão de Pesquisas Folclóricas, o que pode ser considerado como um dos primeiros projetos multimédia da cultura brasileira. O material está dividido de acordo com o caráter funcional das manifestações: músicas de dançar, cantar, trabalhar e rezar. Trouxe sua coleção fonográfica cultural para o Departamento, formando uma Discoteca Municipal, que era, possivelmente, as melhores e maiores reunidas no hemisfério. Na segunda nomeação que recebeu para Chefiar o Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, em 1936, organizou cursos de etnografia e folclore, criou a primeira discoteca pública do Brasil e promoveu o I Congresso de Língua Cantada. Em fevereiro de 1938, reúne uma equipe de pesquisadores com o objetivo de fazer um mapeamento da música tradicional brasileira - a Missão de Pesquisas Folclóricas -, que tem sua primeira etapa realizada no Norte e Nordeste do país.

E chegando a Tacaratu a equipe de pesquisadores se encantou com a diversidade folclórica identificada, desde os índios Pankararu até o cidadão comum das áreas urbana e rural, em conformidade com os seus registros, mencionam-se em nomes, locais e datas, como: a) PRAIÁ - Brejo dos Padres, Tacaratu (PE) - 11/03/1938, Maria Vieira do Nascimento (Maria Pastora); b) TORÉ, CANTO DE CASA DE FARINHA E CANTORIA - Folha Branca, Tacaratu (PE) - 12/03/1938; c) CÔCO - Brejo dos Padres, Tacaratu (PE) - 09/03/1938, Raimundo Cunha, Tiburtino Fernandes da Silva, José Argemiro Cavalcanti, João de Queiroz Sobral, Casimiro Ferreira, José Cavalcanti Nosinho (Zé Nosinho), José de Jorge, Pedro Jerônimo, Severino Cambirimba da Silva; d) ROJÃO DE ROÇA - Brejo dos Padres, Tacaratu (PE) - 10/03/1938, Raimundo Cunha, Tiburtino Fernandes da Silva, José Argemiro Cavalcanti, João de Queiroz Sobral, Casimiro Ferreira, José Cavalcanti Nosinho (Zé Nosinho), José de Jorge, Pedro Jerônimo, Severino Cambirimba da Silva /1938; e) RODA SERTANEJA - Brejo dos Padres, Tacaratu (PE) - 10/03/1938, Raimundo Cunha, Tiburtino Fernandes da Silva, José Argemiro Cavalcanti, João de Queiroz Sobral, Casimiro Ferreira, José Cavalcanti Nosinho (Zé Nosinho), José de Jorge, Pedro Jerônimo, Severino Cambirimba da Silva. Importante momento tacaratuense, catalogado na Discoteca Municipal Oneyda Alvarenga, da cidade de São Paulo, cuja movimentação cultural de época transbordava-se entre homens e mulheres, figuras aqui identificadas como Raimundo Cunha, Tiburtino, entre outros tantos, que se deixaram registrar em vozes e imagens, representando o mais belo dos torrões, que, decididamente, revolucionava-se na cultura que emanou a partir da Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade, para o Brasil e para o mundo.

Paulo Félix


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