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Tacaratu - PE - 13/05/2013

Tacaratu e suas Belezas

Joana Silva
Foto: Damião Manoel do Nascimento
Cachoeira do Salobro
Cachoeira do Salobro

O território onde fica localizado o município de Tacaratu foi verdadeiramente agraciado por Deus. Aqui a natureza caprichou e nos deixou belos monumentos naturais. Embora bastante atingida pelas más ações humanas, esta terra ainda ostenta grande beleza. Basta olharmos para os arredores da cidade para percebermos quantas serras abundantemente verdes, inclusive com uma reserva de mata atlântica, além da riqueza em mananciais de agua doce, que a poucos palmos de profundidade vemos jorrar o precioso líquido em abundância.

Quem teve a felicidade de viver aqui nesta terra entre os anos 30 e 70 do século passado, pôde desfrutar do acordar com o sol despontando entre os coqueirais referenciados no hino do município e à noitinha ouvir as canções entoadas pelos sapos e rãs num gracioso duelo sonoro e sem fim," foi num foi," "foi num foi". Atravessar os córregos de água limpa descendo no meio das ruas, deslizando para o riacho Tacaratu, indo formar cachoeiras nas sete quedas do salobro. Beber água doce vinda das fontes da gameleira e do Cumbre, mesmo transportadas em potes ou em barricas em lombo de jumentos. Presenciar a alegria das lavadeiras de roupa na bica das mulheres, trabalhando, cantando e contando casos. Brincar à sombra do tamarindeiro de Seu Duquinha, fortalecido pela beleza do Baobá de Mané Duquinha. Fazer guisado debaixo das mangueiras de Zé Maria, depois tomar um  saboroso banho de cuia nos banheiros de Mariana Nunes.  Não havia água encanada e se pagava alguns centavos da moeda em vigor, (mil reis) para tomar um banho com água abundante daquela fonte. Também pôde viver aquela época de piquenique na Fonte Grande e tomar um banho naquela água doce, caindo de uma bica de madeira introduzida na fenda de uma pedra, encantando a imaginação com base na lenda que dizia sair dali uma imensa cobra banhada a ouro. Visualizar imensos canaviais que durante os meses de outubro, novembro e dezembro, forneciam cana para a produção de mel, alfinim, tijolo e rapadura nos engenhos de Pedro Raticho na Folha Branca, Manoel Duquinha e Zé Benzota na Gameleira, Chico Né no Bebedouro, João Félix no Salobro e outros espalhados pelo Tacaicó e Tacaratuzinho. Nas tardes daqueles referidos meses não faltavam grupos de pessoas indo para os engenhos comprar mel, alfinim, beber garapa e chupar cana, gratuitamente. Comer um pedaço de beju quentinho das freqüentes farinha das na casa de farinha de D. Durvalina, Zé Teixeira, João Marçal, Seu Coelhinho e tantas outras. Poder tirar goiaba docinha, amadurecida no pé, mesmo sendo nos brejos dos visinhos. Admirar a beleza das flores dos sabugueiros existentes ao lado da Sociedade Vicentina (hoje quadra da Tribo).Passear na praça da matriz, com o " S " cheio de água, com pequenos peixes ou cágados, vendo os jardins floridos com margaridas e papoulas, sob frondosas árvores purificando mais ainda o ar, estimulando o romantismo dos casais apaixonados e até mesmos dos amigos que, sem pressa de voltar para casa depois da missa dominical, tinham como lazer os bate papos nos bancos da praça.

Em nome do progresso e pela insensatez principalmente dos administradores, que não souberam ou se omitiram em cuidar devidamente do patrimônio público, histórico e cultural, muita coisa já desapareceu. Outras estão agonizando, pedindo socorro.

Destacamos a Fonte Grande com a exploração desgovernada da água; a serra de Tacaratu ou Serra Grande com o desmatamento ilegal e a Serra do Cruzeiro que agora parece ter dado um grande passo para ser a próxima vítima da insensatez do homem a quem Deus entregou a Sua criação.





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